Bom dia! Hoje é domingo, 19 de agosto de 2018 | 11:08

Um amor especial / Web Rádio Vida Espírita - Andradina/SP
Imprimir matéria

22/11/2017 [07h08] | Momento Espirita

Um amor especial

Um amor especial

Quando Jéssica veio ao mundo, trazia a cabeça amassada e os traços deformados, devido ao parto difícil vivido por sua mãe.


Todos a olhavam e faziam careta, dizendo que ela se parecia com um jogador de futebol americano espancado.

Todos tinham a mesma reação, menos a sua avó. Quando a viu, a tomou nos braços, e seus olhos brilharam. Olhou para aquele bebê, sua primeira netinha e, emocionada, falou: Linda.

No transcorrer do desenvolvimento daquela sua primeira netinha, ela estaria sempre presente. E um amor mútuo, profundo, passou a ser compartilhado.

Quando a avó recebeu o diagnóstico, anos depois, de mal de Alzheimer, toda a família se tornou especialista no assunto.

Parecia que, aos poucos, ela ia se despedindo. Ou eles a estavam perdendo.

Começou a falar em fragmentos. Depois, o número de palavras foi ficando sempre menor, até não dizer mais nada.

Uma semana antes de morrer, seu corpo perdeu funções vitais e ela foi removida, a conselho médico, para uma clínica de doentes terminais.

Jéssica insistiu para ir vê-la e seus pais a levaram. Ela entrou no quarto onde a avó Nana estava e a viu sentada em uma enorme poltrona, ao lado da cama.

O corpo estava encurvado, os olhos fechados e a boca aberta, mole. A morfina a mantinha adormecida.

Lentamente, Jéssica se sentou à sua frente. Tomou a sua mão esquerda e a segurou. Afastou daquele rosto amado uma mecha de cabelos brancos e ficou ali, sentada, sem se mover, incapaz de dizer coisa alguma.

Desejava falar, mas a tristeza que a dominava era tamanha, que não a conseguia controlar. Então, aconteceu...

A mão da avó foi se fechando em torno da mão da neta, apertando mais e mais. O que parecia ser um pequeno gemido se transformou em um som, e de sua boca saiu uma palavra: Jéssica.

A garota tremeu. O seu nome. A avó tinha quatro filhos, dois genros, uma nora e seis netos. Como ela sabia que era ela?

Naquele momento, a impressão que Jéssica teve foi que um filme era exibido em sua cabeça. Viu e reviu sua avó nos quatorze recitais de dança em que ela se apresentou.

Viu-a sapateando na cozinha, com ela. Brincando com os netos, enquanto os demais adultos faziam a ceia na sala grande.

Viu-a, sentada ao seu lado, no Natal, admirando a árvore decorada com enfeites luminosos.

Então Jéssica olhou para ela, ali, e vendo em que se transformara aquela mulher, chorou.

Deu-se conta de que ela não assistiria, no corpo, ao seu último recital de dança, nem voltaria a torcer com ela pelo seu time de futebol.

Nunca mais poderia se sentar ao seu lado, para admirar a árvore de Natal. Não a veria toda arrumada para o baile de sua formatura, ao final daquele ano.

Não estaria presente no seu casamento, nem quando seu primeiro filho nascesse.

As lágrimas corriam abundantes pelas suas faces. Acima de tudo, chorava porque finalmente compreendia como a avó havia se sentido no dia em que ela nascera.

A avó olhara através da sua aparência, enxergara lá dentro e vira uma vida.

Lentamente, Jéssica soltou a mão da avó e enxugou as lágrimas que molhavam o seu rosto.

Ficou de pé, inclinou-se para a frente e a beijou.

Num sussurro, disse para a avó: Você está linda.

*   *   *

Se desejas ensinar a teu filho o que é o amor, demonstra-o. Não lhe negues a carícia, a atenção, a palavra.

O que faças ou digas é hoje a semeadura farta de bênçãos que o mundo colherá, no transcurso dos anos dos teus rebentos.

E o mundo te agradecerá, por teres sido alguém que entregou ao mundo um ser que saiba amar, de forma incondicional e irrestrita.

Fonte: Texto com base no cap. Linda, de autoria de Jéssica Gardner, do livro Histórias para aquecer o coração dos adolescentes, de

Comentários

Outras matérias

  • Momento Espirita

    O preço de uma vida

    Quando, em nosso país, tantas vozes se erguem na defesa da eliminação da vida, uma pausa para reflexão se faz devida. Quanto vale uma vida? Será que, por não ser ainda alguém que contribui para a sociedade, por não ter voz suficientemente alta para s...
  • Reflexões

    Uma prece

    Ao despertar, enquanto você abre os olhos e se espreguiça na cama, seja para o Senhor da Vida o seu primeiro pensamento. Meditando em tantas coisas que logo mais lhe tomarão todas as horas do dia, sem lhe deixar tempo para telefonar para o amigo que ...
  • Reflexões

    A cadeira no caminho

    Depois de um dia inteiro passado longe da família, entra em casa o pai, à noite. Sua chegada alvoroça o filho que, esperando algum presente, corre ao seu encontro de braços abertos. Por descuido, o pequeno estabanado vai de encontro a uma cadeira no cam...
  • Reflexões

    O pessimismo

    O pessimismo é uma característica muito em evidência na Terra. Muitos chegam a cultivá-lo, com sofreguidão. Esses estão sempre dispostos a ver prenúncio de tragédia em qualquer notícia. Costumeiramente, apegam-se aos aspectos negativos do que lhe...
  • Reflexões

    A lei do trabalho

    Quem foi que teve a infeliz ideia de dizer, um dia, que o trabalho enobrece o homem?

RECADOS

  • Goreti Frey | Jaguarão - RS

    Amei essa rádio, é tudo de bom

    31/07/2018 às 18h49

  • ovidio de tomaszewski | goiania - GO

    Excelente conteudo da programacao. Boa mesmo. Da gosto ouvir o tempo todo. Parabens para a equipe organizadora. ...

    04/06/2018 às 15h29

  • Maria | São Paulo - SP

    Adoro as palestras da anete Guimarães, mas li em vários lugares que ela não é psicóloga como ela diz? POR favor me tirem...

    27/04/2018 às 13h29

Escrever recado

NOVIDADES

Assine nossa newsletter e fique por dentro das novidades!

«« Web Rádio 'Vida Espírita' - Andradina/SP - Divulgando a doutrina espírita! - Copyright © 2018 Todos os Direitos Reservados »»
0%
Streaming GuboHost